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Atletismo: Sara Moreira termina "calvário" de seis meses

A atleta Sara Moreira termina esta quarta-feira o castigo de seis meses devido a um controlo antidoping positivo, realizado em agosto do ano passado. Num dia em que deveria estar de partida para Istambul, onde iria disputar os Mundiais de pista coberta, a atleta falha a viagem por se encontrar lesionada e, por precaução, prescindiu de competir, numa competição em que aspirava chegar à final dos 3000 metros. Um percalço que não a desmoraliza, agora que chega ao fim um "calvário" de seis meses. «Sim, apesar de não poder estar no Mundial, como gostaria, este é um momento feliz. Terminam, finalmente, seis meses bem difíceis», afirma a atleta do Maratona, de 26 anos, olímpica em Pequim2008 e já medalhada em Europeus de ar livre (bronze) e pista coberta (prata). «Consegui ultrapassar este momento difícil sem me ter ido abaixo e não é esta lesão, agora, que me fará desmoralizar». Tudo aconteceu devido a um reforço vitamínico receitado pelo seu ex-nutricionista para recuperação dos esforços a seguir às Universíadas, na China, e antes do Mundial, na Coreia, o qual continha um produto interdito. «De início sofri um grande choque quando soube da notícia. Depois, com o tempo, comecei a aceitar a situação, não havia alternativa. Tinha a consciência tranquila, sentia-me completamente inocente, tomara algo que alguém em quem depositava toda a confiança me sugerira. Depois, com a passagem dos meses, comecei a concentrar-me totalmente no Mundial de pista coberta e então tudo se tornou mais fácil», disse. Estes foram longos seis meses de paragem competitiva para quem se habituou a competir frequentemente, seja em pista, pista coberta, corta-mato ou estrada. «Sim, seis meses são seis meses, mas estes parece que demoraram bem mais a passar, parecia que não mais chegavam ao fim. Embora de janeiro para cá, tendo já em mente o objetivo Campeonato do Mundo, tenha sido mais fácil encarar a situação. Mas não desejo a ninguém aquilo por que passei», sublinhou a atleta do Maratona. Sara Moreira reconhece que esta foi uma «boa lição»: «Aprendi que há que estar com muita atenção aquilo que ingerimos e que estas coisas podem sempre acontecer. Nunca me passara pela cabeça que um dia poderia ter um controlo positivo, mas o certo é que, sem culpa, tive-o. Mas não quero pensar mais nisso. Felizmente, ainda sou nova, tenho vários anos à minha frente como atleta e, apesar dos seis meses de suspensão terem levado bastante tempo a passar, poderia ter sido bem pior. E aprendi, também, que todos os momentos bons na vida por que passamos devem ser bem vividos».Vice-campeã europeia em 2009 e sexta no Mundial de 2010, Sara Moreira tinha em mente nova presença na final dos 3000 metros em Istambul, este fim de semana. «Não irei estar, paciência. Mas sentia-me muito bem, os testes que fiz na presença do seleccionador nacional, José Barros, foram bastante positivos e estava optimista, embora reconheça que não teria o ritmo competitivo dos anos anteriores e que poderia acusar alguma ansiedade e nervosismo superiores ao habitual. Mas não me vale a pena estar a pensar nisso. Já virei a página. Já estou focada nos Jogos Olímpicos, onde espero regressar aos 3000 metros obstáculos, a menos que os meus tendões de Aquiles não o permitam, e, antes, em final de junho, no Europeu de Helsínquia, onde apostarei nos 5000 metros, que terão final direta», conclui Sara Moreira, que tem agora alguns dias para recuperar da lesão na região sacro-ilíaca que a impede de estar no Mundial de Istambul.

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